Formação é essencial para evitar maus restauros de obras de arte

2014 sandra saldanha mg 9561Artigo publicado no site Fátima Missionária
sobre discurso de Sandra Costa Saldanha, diretora do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja no jantar-conferencia do MASE.
Realizado em 29 de Abril de 2014.
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Os exemplos de maus restauros de imagens religiosas indicam que é importante apostar na formação. Para Sandra Costa Saldanha, as ações de formação deverão chegar a todas as pessoas que lidam com o património da Igreja.

Os casos de maus restauros, que não respeitam a autenticidade das imagens religiosas, estiveram em foco em mais uma edição da iniciativa jantares-conferência, promovida pelo Museu de Arte Sacra e Etnologia (MASE), na última terça-feira, 29 de abril, no Hotel Pax. Em Fátima, Sandra Costa Saldanha, diretora do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, conduziu uma palestra sobre «O culto das imagens – conservação, restauro, e algumas perversões».

Aos presentes, a também professora convidada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra apresentou exemplos de intervenções que «alteram o significado das obras de arte». Segundo a responsável, as «más intervenções» nas peças são realizadas por pessoas não qualificadas e sem um «acompanhamento técnico».

Após um mau restauro as peças apresentam algumas características comuns: «brilham imenso», ficam com um aspeto «colorido e animado», as imagens «perdem as expressões transformando-se em bonecos» e aparentam estar «retocadas e maquilhadas». Para combater este problema, a responsável disse que a sensibilização e a formação nesta área são fundamentais.

«As formações têm de ser destinadas às pessoas que lidam com o património. Têm de ser feitas na igreja e devem dirigir-se à zeladora, ao guardião da igreja, à comissão fabriqueira, ao sacerdote, às pessoas que limpam o altar e o chão com detergente, que pegam nas jarras, que borrifam as flores ao pé da talha», exemplificou.

Mas a diretora do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja não ficou por aqui. Sandra Costa Saldanha afirmou que existe outro espaço onde esta formação deverá chegar: os seminários. «É insuficiente a formação nos seminários. Os próprios sacerdotes reconhecem que aquilo que ouviram falar sobre estas matérias foi pontual», disse a docente, salientando que os religiosos são os «guardiões, os zeladores e os responsáveis pelo vastíssimo património» da Igreja.

Não passando ao lado dos casos de boas práticas, Sandra Costa Saldanha alertou ainda para importância da inventariação das peças e elogiou o trabalho que está a ser realizado por algumas dioceses portugueses como a do Porto, Évora e Beja. A terceira edição da iniciativa jantares-conferência está já agendada para o dia 16 de maio. Após o jantar, a conferência será conduzida por Davi Kopenawa, líder indígena Yanomami (Brasil) com o tema «Ecologia e espiritualidade Yanomami».



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